Cegos, bullying, e uma nova luz

Alexfábio Custódio janeiro 29, 2014 0

Ahoy meus caros marujos!

Existe um bom motivo para eu ser conhecido por glasseye. Desde que me entendo por gente eu uso óculos, se bobear, até mesmo dentro do útero de minha mãezinha. No entanto, mesmo com as lentes minha visão é muito limitada.

Para vocês terem uma ideia, na escola eu sempre sentava na primeira fileira, e mesmo assim, precisava das ajuda da amiguinha do lado para ler o que o professor escrevia (sempre amiguinhas, sou meio cego, mas nada bobo =D).

Claro que sempre havia os engraçadinhos propensos a zoar e se divertir às minhas custas. E como sofria no início! Eu era muito acanhado e não sabia como lidar com a zoeira. Até o dia que meu pai me ensinou a ser o primeiro a rir. Passei a desenvolver o senso de humor característico de nosso clã, e me tornei o primeiro a fazer piada com meus defeitos.

No entanto, rir dos defeitos e aceita-los são dois processos totalmente diferentes. Eu havia resolvido os problemas com opressões externas, mas e os dilemas internos? Eu não entendia por que pessoas de má índole tinham visão tão apurada para cometer todo tipo de maldade, e eu não podia nem mesmo jogar bola sem ter sérias limitações. O que eu havia feito de tão ruim para merecer isso?

A pergunta soou familiar para vocês? Quem sabe você já fez, ou está fazendo, a mesma pergunta: O que eu fiz pra merecer isso?

Os discípulos de Jesus perguntaram a mesma coisa ao mestre quando eles viram um jovem cego de nascença. Embasados na crença de que tal deformidade seria consequência de um grave pecado, eles queriam saber de quem seriam os culpados daquela triste condição: Os pais do garoto ou ele mesmo?

A resposta de Jesus não agradaria nenhum caça-pecados de plantão, mas é um oásis para os necessitados da graça divina: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9. 3).

Eu acredito que apenas os discípulos ouviram essa resposta e, para algum expectador desavisado, o ato a seguir seria considerado bullying de Jesus contra o ceguinho. Afinal, Jesus passou lama nos olhos do pedinte e o mandou embora se lavar! Da zoeira esse tal de Jesus!

No entanto, bastou o jovem lavar seu rosto para que ele pudesse ver a luz pela primeira vez! E ele foi um dos grandes testemunhos do ministério do senhor Jesus.

No dia que eu entendi que não havia culpa na minha condição, e sim um propósito de Deus, eu pude aceitar tranquilamente as minhas limitações. Oras, se Deus me amou tão poderosamente, a ponto de me tornar uma ferramenta para a propagação de seu Reino, quem sou eu para não aceitar tal privilégio?

Epa… conheço esses olhares, eu até entendo que vocês fiquem decepcionados se a resposta que eu propus é inconclusiva ou evasiva. “Muleta da fé” diriam alguns, no entanto, eu posso afirmar que antes eu era um inconformado “CSI dos porquês”, e hoje eu simplesmente aceito a nova luz que ilumina minha vida. E não tenho do que me arrepender, sou feliz! Simples assim.

Se você ainda está na fase dos questionamentos, dê um passo em direção ao Senhor Jesus, Ele é especialista em apresentar a glória de Deus ao ser humano.

“Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (Romanos 4. 6).

(Passagem bíblica citada na história: Capítulo nove do evangelho segundo João)