Uma reforma cultural

Alexfábio Custódio abril 16, 2013 9

Ahoy meus caros marujos!

Nosso mundo está encolhendo amigos! Mas não fiquem nervosos ou preocupados. A extensão territorial do planeta continua a mesma, é a nossa tecnologia náutica que está diminuindo distâncias.

Viajando pelos mares nós podemos ter o privilégio de conhecer várias culturas pitorescas e exóticas. Estamos indo até onde nenhum homem foi antes. Existem até os que cogitam construir grandes veículos que nos levem à lua, imaginem que absurda essa ideia marujos!

Conheço um filho de um colega que ficou tão apaixonado pela cultura de um país do oriente que agora já assimilou a língua, costumes de vestes, e até a mania estranha de ler livros de trás para frente!

Não que eu veja nenhum mal nisso, todos temos algo a ensinar e muito a aprender nessa aldeia global. O único ponto realmente danoso à nossa sobrevivência, é quando abrimos mão de valores do Reino de Deus.

A lei que Moisés recebeu de Deus possuía alguns elementos jurídicos presentes em tratados seguidos por outros povos daquela época. No entanto, o valor maior daquela legislação era mostrar as vantagens da aliança com o Deus Vivo. Se a nação fosse conduzida segundo aquelas ordenanças, Israel seria uma terra de justiça, igualdade e fraternidade. E, ao olharem para eles, os demais povos reconheceriam a bondade e o amor de Deus pelos descendentes de Jacó.

Infelizmente para o povo de Israel, aconteceu o exatamente o contrário. Eles se encantavam ao conhecerem a religiosidade dos povos vizinhos. Admiravam seus mitos e contos, consideravam interessante a área de atuação de cada entidade, tão diferentes e mais “criativos” do que o Senhor. Assim entraram as primeiras imagens desses deuses em Israel, claro que não como “imagens religiosas”, eram apenas “itens de colecionador”, “souvenir” ou “action figures”.

Nos dias do rei Josias, época do declínio da nação de Judá, durante uma reforma no templo o sumo sacerdote Hilquias encontrou um livro esquecido na Casa do Senhor. Era nada mais, nada menos, do que o livro da lei dado por Deus a Moisés.

O rei se desesperou ao ouvir a leitura do livro, percebeu que eles estavam a anos luz de ser o povo idealizado naquele tratado entre Deus e os seus antepassados. Outra reforma se mostrou necessária, uma reforma devocional!

E como havia sujeira a ser retirada! Imagens de deuses pagãos, sacerdotes desses deuses, utensílios dedicados aos mesmos, prostituição cerimonial, isso tudo no TEMPLO idealizado por Davi, construído por Salomão, e erguido em nome de Deus.

Sabe o que é mais triste constatar marujos? Esses povos tentaram aniquilar Israel por séculos através de embates militares, tudo em vão. Contudo, os seus objetos de culto faziam um câncer silencioso crescer no coração dos israelitas. Causando o declínio da nação.

Isso me faz olhar para o meu coração. Quantas coisas inúteis amontoadas devido às paixões desse mundo! É fácil notar como deixamos de dedicar um espaço limpo para os valores do Reino de Deus (amor, fé, compaixão, empatia, etc.). Sinto vergonha de oferecer tal morada ao Espírito de Deus! Peguem os escovões marujos, é hora de nossa faxina e reforma cultural!

(Texto bíblico citado na história: Capítulos 22 e 23 do segundo livro dos Reis).

  • Lucas Teles

    Muito bom, mano!
    Seus textos SEMPRE nos colocam a refletir coisas simples do dia a dia que podem nos fazer enveredar por caminhos incertos!

  • Mano, mais um excelente texto! Realmente a influência cultural é até certo ponto normal, mas se torna perigosa a partir do momento em que abandonamos os valores do Reino de Deus.

  • Jaqueline Lima

    Alex, querido.
    Ótimo texto! Gostei muito do paralelo feito.

    Eu tenho pensando muito nessa coisa de cultura, pós-modernidade e como isso tem sorrateiramente afetado nossas igrejas. Muitas vezes nos preocupamos muito com o macro e deixamos muita coisa que é nociva entrar e se instalar.

    Acho que teremos mais um texto sobre o assunto aparecendo por aqui haha

    Vou pegar meu escovão, amigo.
    Fique com Deus 🙂

  • CA-RA-CA!

    Alex, que texto maravilhoso. Obrigado por me fazer lembrar de que todos os dias preciso ser melhor. Preciso estar em constante reforma.

    Deus te abençoe!

  • “Ela é e sempre foi santa, sem nenhuma mancha?” Você realmente acredita nisso que disse? E a inquisição? e a cobrança de indulgências que culminaram com a reforma protestante? E quanto aos inúmeros queimados vivos por contrariarem interesses de uma elite que se dizia voz de Deus? Amigo, eu sei que você tem seus motivos para discordar da oração em línguas, mas cuidado para, na sua “boa intenção”, não acabar falando mal do Espírito Santo! A igreja, na sua caminhada cometeu erros, inclusive reconhecidos pelos papas João XXIII e Bento XVI… E se cremos na soberania de Deus, porque Ele permitiu a reforma? Outra coisa, Lutero só não é considerado santo porque “aqueles que escolhem” quem será santo não dariam esta honra ao cara que ousou reformar a igreja! Repense seus exageros e rancores… Deixe Deus ser Deus e aceite o fato de que nem todas as coisas você vai compreender com a razão e sim com a fé!

    • Olá obrigado por comentar.

      Confesso que estou um pouco confuso com o seu comentário. A citação que deu origem à sua argumentação não está inserida nesse texto. Mas, tentarei dissipar alguns mal entendidos presentes.

      “Ela é e sempre foi santa, sem nenhuma mancha?” Pelo contexto de seu comentário, eu imagino que essa frase faz menção à igreja. Nesse caso, é preciso esclarecer alguns conceitos:

      1- O conceito bíblico para “santidade” é o de algo separado para Deus. Algo santificado passa a ser exclusivo de Deus. Então, a igreja, como um agrupamento dos que confessam Jesus como redentor, é separada para Deus através da poderosa obra do messias (1 Coríntios 1. 1 e 2).
      2- Sabemos que o vocábulo “igreja” possui muitos significados linguísticos. Quando eu digo que a igreja não possui mancha, estou falando do corpo de Cristo, formado por todos os Cristãos salvos do passado e da igreja militante hodierna. Todos os problemas que você relatou, e eu citaria muitos mais, são problemas da instituição terrena. Nesse caso, só preciso te lembrar de que Jesus já alertou sobre a presença de joio entre o trigo (Mateus 13. 24 a 30), e nem todos que afirmam serem servos de Deus entrarão no Reino (Mateus 7. 21).

      Não entendo a razão de você afirmar que “tenho motivos para discordar das orações em línguas”. Sou um cristão pentecostal, acredito nas manifestações dos dons concedidos pelo Espírito Santo, inclusive da glossolaria (recomendo a leitura da série de artigos “Caminhos de Pentecostes”, presentes em meu blog Sementes do Evangelho http://www.sementesdoevangelho.blogspot.com), Você pode ter certeza que eu também oro em línguas nos meus momentos de intimidade e comunhão com Deus.

      Não quero entrar em detalhes acerca da reforma protestante, pois tomaria muito espaço, recomendo os podcasts de No barquinho, BTCast e Irmãos.com sobre o tema.

      Por fim, eu seria louco se tentasse compactar a grandiosidade de Deus à minha reles compreensão humana. Contudo, isso não nos impede de, através de uma boa teologia centrada nas escrituras, buscarmos aprender como defender com mansidão e temor a razão de nossa fé.

      Fique na Paz Daquele que vive e reina eternamente.