O livro preto

Thiago André Monteiro abril 9, 2013 5

J.J.

Viagem a trabalho. Caminhar sozinho, jantar sozinho, dormir sozinho.

Eu na cama, olhos fitos no teto. Os pensamentos vagueiam solitariamente.

Dia cheio…

…quarto de hotel vazio.

Eis que vejo o tal livro preto sobre o criado-mudo. Ele lá, eu cá.

Meus olhos desviam em direção ao espumante sobre o frigobar.

Garrafa cheia…

…copo vazio.

Saudades do barulho. Até da minha própria voz.

Eis que, finalmente, chega minha companhia.

Camisinha cheia…

…carteira vazia.

Volto à solidão. Só eu e meus pensamentos.

Eis que o livro preto me olha novamente.

Ele; cheio de páginas, cheio de esperança…

…eu; de coração vazio, de alma vazia.

Mas não tem problema.

Já vai amanhecer.

O dia será cheio…

…e eu continuarei vazio.

S.D.G.

Thiago André Monteiro
(veja mais no Baú de Crônicas)

  • Uou! Poesia genial cara! Genial mesmo! Parabéns. Recomendo a quem quiser, lê-la escutando “Não existe amor em SP” do Criolo. Acho que combina.

  • Vou procurar sobre a música. Nunca ouvi falar.

    E obrigado pelos elogios.

  • Lourival Neves

    Muito bom!

  • Nossa, texto animal mesmo! Parabéns!

  • Obrigado pelo feedback, Arthur. Hoje, definitivamente, é um dia que preciso de ânimo!