Me dá um dinheiro

Lucas Teles março 8, 2013 6

É muito comum e, hoje em dia, absolutamente normal, que ambos os cônjuges trabalhem para conseguir o sustento para o lar. O trabalho de ambos, em alguns casos vai além da simples necessidade financeira; é o ápice da realização profissional de cada um deles.

Com a modernidade e pós-modernidade traduzindo e interpretando conceitos bíblicos de maneira errada, vemos a dificuldade de casais em lidar com situações novas e cada vez mais comuns no nosso meio. O machismo sempre em alta, mesmo que de maneira velada, coloca casais em situações de conflito que podem gerar separações, divórcios, brigas e mortes, que, em quase 100% dos casos, poderiam ser evitadas com um simples diálogo.

Conversando com um amigo no último mês, discutíamos situações onde o marido ganhasse menos que a esposa ou que ele não trabalhasse. Levantamos algumas questões, com um bate-papo em alto nível e que eu gostaria de compartilhar com vocês alguns pontos que julgo ser importante.

Alguns podem não concordar, mas biblicamente, acredito que o homem é o maior responsável pelo “gerenciamento” do lar ( cf. Ef. 5:22-33). Isso pode gerar polêmica, mas tudo bem. O homem é o mantenedor, sustentador e provedor do lar em tudo. Seja de ordem financeira ou espiritual; seja na segurança ou decisões importantes; o homem tem que tomar a iniciativa, tomar a frente, chamar para si a responsabilidade que foi outorgada por DEUS.

Lucas, você está dizendo que o homem é quem manda no lar? Você está afirmando que a mulher não pode trabalhar? Para essas duas perguntas eu tenho duas respostas: SIM e NÃO. Pelos motivos que citei acima, acredito sim que quem manda no lar é o homem. Está na Bíblia. Uma coisa é o homem exercer autoridade; outra bem diferente é o autoritarismo. Uma coisa é a mulher ser submissa; outra coisa é ser inerte a tudo que acontece no lar. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Por outro lado é louvável que a mulher trabalhe, ajude no sustento financeiro do lar, nas tomadas de decisões, na criação dos filhos.

Minha esposa trabalha e ajuda na composição da nossa renda familiar. Ela precisa trabalhar pelo sua própria realização. Toda ajuda financeira que vem dela é útil. Sempre que eu preciso, digo: “Me dá um dinheiro, amor!” Ela atende prontamente toda minha necessidade, pois sabe que o salário que eu recebo é dela; o salário que ela recebe também é meu. Todos nossos esforços são empenhados no bem estar de ambos. No meu lar não existe diferença entre dinheiro de um ou de outro. O dinheiro é de ambos para construção do nosso lar.

Se ela tivesse um salário maior que o meu, seria excelente! Eu não teria problema nenhum em conviver com isso. Alguns homens não aceitariam. Deixo uma dica para esses homens: considere isso uma benção e que o somatório dos salários é de ambos; use-o para glorificar o nome de DEUS e tudo irá bem.

Se somente ela trabalhasse e sustentasse o nosso lar, eu não me envergonharia por isso, mas também não ficaria de braços cruzados em casa. Correria atrás de um emprego. Existem casos e casos. Há homens que não trabalham por vários motivos. Não estou julgando ninguém, mas também tem aqueles que não trabalham porque não querem. Isso é ruim. Eles estão passando pra frente algo de sua responsabilidade.

Em todo caso, o casal tem que buscar em DEUS orientação para qualquer decisão. A partir do momento que se casaram, tornaram-se “uma só carne”, portanto não existe mais o individualismo egocêntrico. No meu lar tomamos decisões juntos, oramos juntos, choramos juntos, sorrimos juntos. Isso funciona no meu lar, no seu pode ser diferente, mas não contra a Bíblia. Vocês decidiram isso orando, conversando com DEUS e entre si para que tudo funcione de maneira harmoniosa e para glória de DEUS. Ouvi uma patacoada um belo dia: “Existe jugo desigual entre casal crente, quando a mulher ganha mais do que o homem.” Para tudo que eu quero descer! Como pode uma pessoa mudar TOTALMENTE o sentido do que Paulo escreveu em 2Co. 6:14? Usam a Bíblia para justificar suas idiossincrasias e acabam empurrando heresias “goela abaixo” dos cristãos.

  • Muito legal o artigo. Na minha experiência, casado há quase 9 anos, sempre tivemos essa de “tudo o que ganhamos é nosso”. Funciona muito bem. Um de nós (eu, no caso, mas não precisaria ser) é o “gestor/administrador” das finanças, montando orçamentos, pagando contas, dizendo o que podemos e não podemos gastar etc., enquanto o outro (minha esposa) descansa em saber que nossas finanças estão bem cuidadas e saudáveis.
    No começo pode ser que incomode um pouco, pois sempre sobra aquelas sensação de “o dinheiro é meu, porque eu que ganhei”, mas com o tempo a gente começa a viver a plenitude do casamento e entender na prática o que significa “uma só carne”.
    Só sei que é muito mais fácil vivermos como “um” do que ficar se preocupando em gerenciar duas contas de maneira “justa”.

  • Eu e minha noiva trabalhamos e estamos construindo nossa casa,mas isso se retardaria se fosse só eu trabalhando.Acredito que em nossos tempos sempre será comprensível entender que não há mais espaço para esse tipo de pensamneto em que o homem prenda a mulher de ter e exercer também um responsabilidade que pesa mais para o homem.Vejo hoje mulheres que vivem sua independência financeira,embora o texto fale de casal.Mas,tomar um posição sujerida a nós homens é indispensável e não tem como correr disso.ótimo texto Lucas!

  • quando li o titulo ,pensei na musica do silvio santos “ey vc ai “[…]ai

  • Luciano Coelho Alves

    Bom dia! Bom dia!

    Bom ler um texto assim logo de manhã.
    Como o próprio autor disse “é polêmico”, mas não vou escrever para polemizar, mas creio que o homem é sim entre outras coisas o “provedor” do lar, e isto pra mim significa que nesta posição e palavra cabe tudo, tal como (prover financeiramente, prover direcionamento, prover metas, prover a paz etc).
    Quanto à ganhar menos ou mais que a esposa, não considero isso relevante, afinal, numa “sociedade” como esta a conjugal, o que menos deve prevalecer é o egoísmo.
    Enfim, parabéns e refletir é preciso.

    Abraço,

  • Demorei, mas vim comentar!

    Acredito na Bíblia, e ela diz que o homem deve ser o cabeça de sua esposa, assim como Cristo o é da igreja. Mas creio que as interpretações vindas desse texto em destaque (Efésios 5.22-33) são um pouco distorcidas…
    A responsabilidade é dupla, e o homem não “manda” simplesmente. Ele deve ser o cabeça seguindo o exemplo e o amor de Cristo! “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1.16)
    Se eu não sustento meu lar majoritariamente, se minha esposa toma decisões por mim, etc., isso, pra mim, são extrapolações interpretativas.
    Eu devo amar e cuidar da minha esposa, ao exemplo de Cristo, que ama e cuida a igreja! Eu devo ser sua salvação, assim como Cristo me salva!
    Posso estar errado, mas levar este texto a este contexto, é o mesmo que corroborar as passagens que falam do corte de cabelo, etc.
    Homens e mulheres são diferentes, como a igreja é diferente de Cristo. Mas ambos tem suas funções, e uma não desqualifica ou rebaixa a outra.
    Em 1 Coríntios 7, Paulo discorre falando sobre o casamento, solteiros, divórcio e o jugo desigual na união, e não me parece tão clara a diferença entre homem e mulher quanto às atitudes que devam ser tomadas.
    Sei que é complicado justificar o texto com contextos culturais, mas creio que o que Paulo discorre em Efésios é algo tão mais profundo do que divisão de tarefas no lar… 😉

    • Lucas Teles

      Mano, entendo sua posição.
      Vamos observar o que Pedro disse: “Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações.” 1 Pedro 3:7 NVI.
      O apóstolo trata as mulheres como parte mais frágil, mas não menor ou de menor importância; em nenhum momento disse isso no texto. Compreendo que se há uma parte mais frágil (nada se sexo frágil) , há outra mais forte e que cabe ao homem.
      Psicólogos e teólogos afirmam que a mulher sente a necessidade de sentir-se segura, amparada e algumas vezes até conduzida pelo marido. Há exceções? Sim; mas na maior parte dos casos e casais que tenho conhecimento que a mulher “toma” o papel do homem a coisa não funciona perfeitamente.
      Mas eu lhe entendo, respeito sua opinião e comentário, da mesma forma que o texto que escrevi reflete a minha opinião e o entendimento que tenho aprendido na Bíblia e na vida!
      Abração!