Os Miseráveis somos todos

Jaqueline Lima fevereiro 21, 2013 5

Nesse feriadão de fevereiro fui assistir “Os Miseráveis” no cinema com uma amiga. Saí de lá com alguns pensamentos presos na cabeça e quero compartilhar com vocês.Vou procurar trabalhar com a ausência total de spoilers (se é que isso é possível, já que a parada é de 1800 e bolinhas), don’t worry.

Aliás, assista Le Misérables. Só dispense se você DETESTA musicais. Porque é isso que o filme é, MESMO.

A trama já é bem conhecida da maioria. Sinceramente me lembrava vagamente de tudo. No 2º ano do Ensino Médio minha sala toda fez uma peça sobre o tema e alguns elementos iam vindo à memória enquanto eu assistia.

Mas, o que ficou mesmo na minha cabeça foi a evidente decadência humana. Como cristã, na maioria das coisas que vemos/vivemos, acrescentamos Deus e nossa vivência de mundo a leitura dos elementos. Os Miseráveis é um prato cheio pra gente sair pensando na vida, até mesmo porque durante todo tempo existe um questionamento muito claro ao Divino.

França pobre. Decandente para muitos, luxuosa para outros poucos. Nesse retrato da falta de afeto vi como é o homem sem a Graça: egoísta, prepotente, preocupado com os seus, apenas. Ou melhor, vi como somos.

Também vi bondade. Não que Jean Valjean tenha tomado o caminho certo, mas o que mudou sua vida para sempre (vida que foi punida pelo desespero da nossa insignificância) foi um ato de bondade. Ato que gerou um coração bondoso. Mostrando como nossas ações podem transformar vidas. Aquela mão estendida foi tudo que Valjean precisava para entender que ainda havia esperança e que ele poderia ser parte dela.

Ato que gerou incompreensão por parte de quem até ali só entendia o que é dar e receber. Assim somos nós quando nos deparamos com um Deus que nos ama e nos salva desconsiderando qualquer esforço ou mérito. Ou vai dizer que você nunca parou pra pensar nisso de uma forma tão intensa que ao mesmo tempo em que te dava alegria, te deixava confuso?

Como pode alguém nos estender a mão quando tudo que fizemos o aborreceu?

No fim das contas, somos todos miseráveis. Os elementos que compõem tão aclamada história ainda estão aqui, séculos depois.

Existe pobreza e o descaso com ela.
Existem guerras de ego que matam milhares.
Existe quem lute por igualdade.
Existem políticos corruptos soltos enquanto aquele que roubou o pão para alimentar os filhos está preso e não sendo ajudado.
Existe a mãe solteira que para criar seu filho faz o que for preciso.
Existe gente que não consegue entender o que é Bondade.
E existe gente que foi capturada por Ela.

  • Luciano Coelho Alves

    Leitura agradável, rápida e reflexiva, claro que ao final deixou sua “mensagem” e algumas “opiniões”.

    Jamais podemos perder de vista e nem a convicção de que a nossa vida também é uma “pregação”.

    Temos um apreço grande por “coçar” apenas onde está “coçando”, de só cutucar aquelas áreas da vida que de certa maneira são apenas “tratamentos tópicos.

    Parabéns, Jaqueline pelo compartilhar do “pão”

  • Karla Lauanda

    Tive a oportunidade de assistir ao filme ontem e achei o seu artigo maravilhoso. =)

    Miseráveis é o que somos, e miseráveis somente: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.” Isaías 53:5,6

    Faço das palavras do Luciano as minhas: “Parabéns, Jaqueline, pelo compartilhar do ‘pão’.” 😀

  • Alrizete Martins

    Nossa muito legal esse texto viu! Eu ainda não vi o filme! Vou ver e volto pra da outra opiniao do filme! =D

  • ainda não vi os miseráveis

  • mas li um versão “resumida” do livro ,a parte com o bipo é bem legal