Livre para navegar, e obedecer!

Alexfábio Custódio novembro 22, 2012 1

Ahoy meus caros marujos!

Hoje aconteceu algo muito esquisito comigo enquanto passeava pelo cais onde nossa embarcação aportou. Eu caminhava assoviando uma alegre canção quando percebí uma placa onde estava escrito com belas letras: “Associação dos marinheiros unidos”.

No início achei tudo aquilo bem legal, haviam muitos homens do mar reunidos naquele salão. E havia um cartaz contendo os assuntos em debate no dia:

“Navegar em caravelas ou embarcações menores? Qual o melhor?”

“Brincos ou tatuagens? O que realmente caracteriza nossa profissão?”

“Papagaios viciados em rum, como ajudar nossos amigos emplumados?”

Contudo, com o tempo as conversas se converteram em discussões acaloradas, e logo em caos desordenado! Har, vocês sabem que não sou de brigas inúteis, sai daquele lugar lamentando por aqueles companheiros. Eles esqueceram das coisas simples da vida de marinheiro: O belo mar a ser desbravado, a companhia dos parceiros de jornada, o vento batendo ao rosto, a sensação de liberdade, tudo foi abandonado por mero bla, bla, bla sem fim.

Isso me faz lembrar da história de um homem das letras. Ele era treinado arduamente para ser um copista das leis de Deus.  Ano após ano ele copiava dúzias de manuscritos para serem usados nas sinagogas. Um dia ele presenciou um embate que marcou sua história:

Fariseus, saduceus e herodianos haviam se reunido para um debate teológico, até ai tudo bem, ele já havia visto muitos embates entre líderes de cada causa, todos tentando provar a validade de suas interpretaçoes das escrituras. Nessa tarde porém, todos estavam reunidos para combater um único homem: O mestre que veio da Galiléia.

Har, na verdade aqueles senhores desejavam dar um fim ao ministério daquele homem que, por onde andasse, arrebatava multidões com seus discursos e com vários milagres. Eles não estavam para brincadeiras, e “sacaram” questões que geravam horas de debates: “Seria lícito pagar tributos ao César romano? Sendo o nosso povo a nação eleita de Deus?” “A ressureição dos mortos é real? A mulher que teve muitos casamentos, quem seria seu marido no pós-vida?”

O nosso escriba arrumou um banco para se sentar, aquilo poderia durar horas! Hi há har! Para a surpresa dele, Jesus respondeu coerentemente e suscintamente às duas questões. No entanto, havia muito mais do que apenas coesão e coerências nas palavras daquele moço, havia algo familiar ao escriba, e ele precisava entender o que era.

Ele passou toda a sua vida adulta sentado diante das escrituras, sabia reconhecer palavras inspiradas por Deus, e não meros mandamentos humanos como os dos estudiosos que tanto impunham regras para o povo. Surgiu em sua alma um desejo profundo de fazer uma pergunta para aquele jovem. Ele adiantou-se e disse:

“Moço, qual o primeiro de todos os mandamentos?”

E Jesus respondeu-lhe: “O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás pois, ao Senhor, Teu Deus, de todo o coração, e de toda a tua alma, e de todo o entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”.

“Liberdade”! Pensou feliz o escriba. Em poucas palavras o jovem mestre priorizou um relacionamento profundo com Deus e a expansão do mesmo para com todos os homens, e sem impor nenhuma regra litúrgica. Liberdade para obedecer em amor, e não por imposição e vigilância!

Com lágrimas nos olhos, e sem fazer questão de esconder o sorriso que brotava nos lábios, o mestre das letras responde: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus e que não há outro além dele; e que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios”.

É marujos, alguns de nós usamos chapéus, enquanto outros preferem lenços amarrados, o importante mesmo é que todos desfrutamos da liberdade de poder navegar. Sigamos avante marujos! Agora com licença que vou ali limpar o convés, hi har harrr!

(Texto bíblico citado na história: Marcos 12. 13 a 34).

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