E você, já fez sua fezinha hoje?

Thiago Ibrahim outubro 25, 2012 4

O texto que você vai ler é sim uma crítica ao “cristianismo” professado por grande parte da igreja evangélica brasileira, e tem como objetivo mostrar como um ensinamento errado pode desvirtuar o propósito e mensagem do evangelho de Jesus Cristo.

Os jogos de aposta fazem parte da nossa cultura e estão presentes no cotidiano dos brasileiros, até mesmo daqueles que não têm a prática de apostar. É comum ouvir um amigo, vizinho ou conhecido dizendo que sonha em ganhar na loteria e ficar milionário. Quem não quer, não é?

Ok. E aí, você me pergunta: você está escrevendo contra as apostas? Eu respondo pra você: não. Com esse texto, na verdade, pretendo mostrar pra você quanto o cristianismo protestante tem se parecido com um jogo de loteria. Como temos encarado a nossa fé como um bilhete que nos dá o direito de concorrer a um prêmio tão almejado.

Mas para que eu consiga mostrar isso a você, prezado leitor, preciso que você se desprenda um pouco das amarras religiosas e do corporativismo evangélico, porque vou tocar num assunto nada agradável de se pensar: a manipulação da fé de terceiros por parte das mais influentes lideranças evangélicas.

Pra começar, preciso te convidar a lembrar como funciona um processo de aposta. Primeiramente você precisa se dirigir a uma casa lotérica, em seguida precisa pagar por um bilhete de loteria e, então, preenchê-lo com os números (da sorte?). Feito isso, é só aguardar pelo sorteio. Quem sabe você não é contemplado? Você deve saber que o ato de jogar, popularmente é conhecido pelo termo “fazer uma FEZINHA“. E é com isso que quero comparar a forma como a grande maioria dos evangélicos têm sido ensinada a relacionar-se com o cristianismo e o ato de ir à igreja: uma grande CASA LOTÉRICA.

Observe atentamente e analise a postura e comportamento imposto pelos “pastores” da mídia, ensinamento este recebido pelos fieis sem que antes testar o que se diz pelo crivo das Escrituras. Você verá que o procedimento é exatamente o mesmo que um apostador faz quando deseja fazer sua aposta.

O fiel é encorajado a comprar seu bilhete (carnê de contribuição, dar o dízimo, ofertar); escolher os números (os maiores valores possíveis) e aguardar o resultado (bençãos materiais e prosperidade). Somos ensinados por nossos líderes que precisamos ir à igreja pra “buscar a nossa benção” aguardando que “aquele que sorteia” libere o prêmio pra nós que apostamos Nele. E esse é um pensamento pagão, não cristão. Como pode alguém que se diz servo de Deus agir assim com aquele para quem diz que entregou sua vida? Digo que é um pensamento pagão, pois o comércio (troca) faz parte da cultura humana.

Humanamente somos ensinados da seguinte forma: o que é meu só é meu porque eu detenho direito sobre aquilo. Já a mensagem do evangelho ensina que tudo o que temos, na verdade, é dádiva de Deus, e se é dádiva de Deus, eu não tenho direito nenhum sobre aquilo, nem mesmo sobre a fé que tenho. Logo, se não tenho direito sobre a fé que tenho, não posso utilizá-la como bem entender. O que quero dizer com isso é que a fé não é um bilhete que eu comprei, mas um dom recebido por mim como um presente, diretemente do próprio Deus (Efésio 2:8).

O que a Bíblia ensina é bem diferente: vamos à igreja, não para “fazer uma FEZINHA” naquele que vai nos dar um prêmio pela minha persistência e aposta, mas para cultuar Àquele que providencia todos as coisas por intermédio do sacrifício de Seu Filho na cruz. Vamos à igreja, não para buscar uma benção, alcançar uma graça, mas para comungar com os nossos irmãos e, durante essa comunhão, compartilhar aquilo que temos recebido do nosso Pai. Esse é o sentido de estar em igreja, ADORAR e COMUNGAR.

Se você tem encarado a sua fé como uma moeda de troca com Deus, saiba que essa fé que você está usando é sua e não vem Dele. A fé verdadeira é aquela que salva, e essa fé que salva é recebida por nós como presente de Deus. Logo, se é um presente, não é possível usá-la para comprar bençãos do Deus que a concedeu.

Que retornemos à essência do viver cristão e que a forma como nos relacionamos com o nosso Deus seja pautada pela Bíblia e não pelas técnicas ensinadas pelos fariseus televisivos. Pense aí!

Que Deus abençoe a sua vida.

 

  • Luciano Coelho Alves

    É na vida saber o que vale a vida e saber na vida o que não vale a vida. Afinal, não vale morrer por aquilo que não construiu vida em mim.

    Parabéns pela agradável exposição.

  • legal o post Thiago ,sobre a fé muitas pessoas pensam que vão fazer ,Deus mudar”,Deus não quer eu ganhe um carro ,eu oro ,ai Deus fala “ta bom vai” e muda de idéia…

  • Alrizete Martins

    Retratou bem algumas Igrejas brasileiras!

  • Muito bom o texto!
    Eu creio que a fé é um dom espiritual dado por Deus, cabe a nós saber utiliza-lo, assim como Jesus quando curou a mulher enferma Ele disse que a fé dela a curou, assim como também acontece nessas igrejas que pregam como base a teologia da prosperidade, vendem lenço abençoado, tijolo abençoado… e muita gente humilde vende seus pertences para comprar, cheia de fé de que será curada e realmente é curada.
    Com relação a área financeira, Deus abençoa, dá provisão à quem o adora verdadeiramente com seu dízimo, quem faz de coração (como foi abordado no BTCast, quem fica se preocupando com as porcentagens… “é 10% do bruto ou do líquido?” estes não entenderam o significado do dízimo, um ato de gratidão onde você dá o que você sente), quem faz com fé (não como foi abordado no seu texto, está correto que quem dá sua oferta querendo multiplicar, querendo retorno imediato, como numa loteria, faz de forma errada, diferente de quem realmente da na fé) Deus faz prosperar.