O Chaves e a Cristandade

No Barquinho março 19, 2012 4

Por Thiago Ibrahim (@thiagoibrahim)

Recomendo que você ouça o Podcast No Barquinho #009 – Aprendi no Chaves

Tenho quase certeza de que a primeira pergunta que você deve ter feito a você mesmo ao ler o título desse post foi a seguinte: “Será que esse pessoal do No Barquinho está ficando louco?”. Não sei se acertei, mas a resposta eu te dou: não, leitor amigo, não estamos loucos; apenas tivemos uma ideia não muito ortodoxa, e não resistimos.

A proposta desse post não é blasfemar, mas trazer o bom humor como ferramenta de reflexão, já que nós, cristãos, devemos estar em constante reforma mental (Rm 12.2). As comparações que se seguem não são direcionadas para uma igreja em específico, mas baseadas na observação da cristandade ao longo dos anos que passei dentro da instituição igreja evangélica.

Antes de tudo, preciso que você imagine a Vila como uma igreja e a vizinhança como a membrezia da mesma. E vamos aos personagens!

Chaves: representa a comunidade. Carente, necessitada de amparo, carinho, atenção, alimentos, mas que na verdade nem sempre é tratado assim. Pelo contrário, muitas vezes enxotado da Vila, acaba passando o seu tempo num barril. Se contenta sempre com um mísero sanduiche de presunto, o que é suficiente pra lhe deixar feliz.

Senhor Barriga: representa aquele pastor que cobra o dízimo para permitir que os membros continuem na vila. Se você não paga o aluguel (dízimo) corre o risco de ser despejado (que no caso de uma igreja seria o mesmo que afastado das funções).
Quico: representa aquele cristão que tem de tudo, mas que faz questão de esbanjar e mostrar o que tem para que o Chaves (a comunidade) veja o quanto ele é farto. É importante lembrar que ele confia que sua mãe sempre lhe dará tudo e vive na expectativa de ganhar uma bola quadrada, prometida pelo Professor Jirafales (é com “j” mesmo).

Dona Florinda: representa aquela irmã que por pagar o aluguel (dízimo) em dia acha que tem direitos dentro da igreja e que seu filho deve ser sempre o destaque em todas as atividades em que participar (seja na peça teatral ou no coro infantil).

Seu Madruga: representa aquele cristão desempregado que não consegue arrumar emprego. Algumas pessoas acham que isso é uma maldição e que se deve ao fato de estar devendo 14 meses de aluguel (dízimo) ao senhor Barriga.

Chiquinha: toda igreja possui pelo menos 3 exemplares dessa personagem. Uma criança extremamente sagaz e capaz de artimanhas que ninguém acredita serem possíveis ou imagináveis

Dona Clotilde (comumente chamada de Bruxa do 71): representa aquela irmã que todos afirmam possuir pacto com o Cramulhão. Sempre que leva comida para as confraternizações na igreja a maioria das pessoas evitam comer por acharem ter sido oferecida ao Didi. Ela é apaxonada pelo Seu Madruga, e isso, dizem algumas pessoas é outra maldição por ele ser um mau-pagador.

Professor Jirafales (é com “j” mesmo): representa um professor da Escola Bíblica que não tem paciência nenhuma com os neófitos de sua turma.

Jaiminho, o carteiro: representa aquele irmão que tem todas as feramentas pra fazer o trabalho, mas que não faz “pra evitar a fadiga”. Aquele cristão que tem uma bicicleta, mas que nunca se esforçou para aprender a andar nela e que também não fala pra ninguém que não sabe, com medo de perder o posto.

Godines: representa aquele irmão que não presta atenção na pregação e que está “voando” enquanto o pastor está pregando ou enquando o professor da escola bíblica está dando aula. Diga-se de passagem, aparece muito pouco na Vila.

E você, se identificou com algum personagem citado aí em cima? Conhece alguém que se encaixaria nos perfis?

Enxergou algum outro personagem que não apareceu no post? Deixe seu comentário acrescentando.

Sei que alguns vão me taxar de blasfemo, porém a minha intenção com esse post é trazer a reflexão de forma bem humorada usando os esteriótipos da cristandade. É importante dizer que eu amo a igreja e que creio que devemos nos suportar em amor (Colossenses 3:13) e, com o seriado Chaves aprendamos a festejar a nossa comunhão com um Grande Festival da Boa Vizinhança.